Anápolis | Prefeitura Municipal

Aulas remotas da rede municipal passaram por adaptações para assegurar inclusão de estudantes surdos

Vídeos adaptados com intérprete de Libras e apoio das escolas e Cemad foram fundamentais para possibilitar o processo de ensino-aprendizagem

A rede municipal de Educação de Anápolis atende estudantes surdos ou deficientes auditivos em 32 unidades escolares, contando com o apoio do Centro Municipal de Apoio à Diversidade (Cemad) e da Diretoria de Inclusão, Diversidade e Cidadania. Em tempos de pandemia, foi necessário adequar a metodologia de ensino, do modo presencial para o remoto, com produção de vídeos e encontros virtuais adaptados a esses estudantes.

“A pandemia nos fez repensar estratégias e metodologias de ensino considerando as características individuais dos estudantes para a promoção de um ensino público de qualidade”, diz a secretária de Educação, Eerizania de Freitas, sobre as estratégias de ensino adotadas pelo município.

Nas escolas, os estudantes surdos recebem atendimento com o apoio de intérpretes de Libras, que exercem a importante função de interpretar as atividades e aulas dos professores para a língua de sinais. No Cemad, o público atendido provém tanto da rede municipal de ensino como da comunidade em geral. “Os atendimentos são realizados por meio de vídeos gravados pela nossa equipe de professores. O material é composto por imagens, a datilologia em Libras da palavra, o sinal em Libras, uma frase e a legenda. Deste modo, os estudantes são estimulados a aprender tanto a Libras quanto o português escrito”, pontua a coordenadora da unidade, Valdileya Prado.

Valdileya explica que, como forma de feedback ao material enviado pelos professores, os estudantes são incentivados a enviar uma foto ou a gravar um vídeo reproduzindo os sinais aprendidos. “Para os que não se adaptaram ou possuem dificuldade para gravar vídeos, são realizadas chamadas de vídeos para que a atividade seja feita”, conclui a coordenadora.

Laysa Rodrigues, mãe da estudante Emanuelly Victória, da Escola Municipal Professora Edinê Rodrigues, reforça que a parceria com a escola é essencial para o bom aprendizado da filha de 7 anos. “O processo não é fácil, mas tenho um apoio muito grande da professora Elza e da intérprete Luciara. O método de ensino-aprendizagem que elas usam faz com que eu tenha mais facilidade em mediar as atividades, e a compreensão, leitura e escrita dela estão ficando cada vez melhores.” Laysa também destaca a importância da participação da intérprete na aprendizagem da criança. “Quando ela tem alguma dúvida, a tia Luciara faz uma chamada de vídeo com ela para esclarecer todos os questionamentos. Estou muito orgulhosa, porque a Emanuelly já até pede pra conversar somente em Libras com a intérprete”, conta a mãe.

Flávia Fernanda, responsável pela Diretoria de Inclusão, Diversidade e Cidadania, reforça que a inserção de indivíduos surdos na educação, assim como o aprendizado de Libras, são pontos fundamentais para o seu desenvolvimento social e emocional. “Os estudantes surdos, como todos os outros, possuem o direito ao ensino de qualidade. Ocasionalmente eles podem sofrer dificuldades de adaptação, mas toda a equipe escolar deve colaborar para a permanência desse estudante e para que ele tenha um atendimento de excelência”, afirma a diretora.

Conscientização

O mês de abril é marcado por datas importantes para a conscientização da inclusão do estudante surdo, e para incentivar o uso da Libras como forma de comunicação para promover o envolvimento de pessoas surdas na sociedade. Nos dias 23 e 24 são comemorados, respectivamente, o Dia Nacional da Educação de Surdos (23) e o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (24). No Brasil, a Libras passou a ser reconhecida como língua oficial desde o ano de 2002, e a Língua Portuguesa passou a ser considerada a segunda língua, na modalidade escrita, pelos surdos.

O principal objetivo da inclusão do surdo na educação é que ele aprenda a conviver em sociedade e se aproprie da linguagem de Libras e do português escrito. É natural que exista um grande impasse por parte da família da criança surda ao ingressá-la na escola, principalmente nos anos iniciais, decorrente de fatores como as limitações pessoais e o conhecimento parcial da língua pela qual se comunica, a Libras. Por isso, é essencial uma reflexão sobre a alfabetização dos surdos no Brasil, tendo em vista os desafios enfrentados por estes estudantes em relação ao aprendizado.

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